Engana-se quem acredita que as pulgas são insetos inofensivos comuns a cães e gatos.
Seu ciclo ovo-larva-pupa-adulto se dá inteiramente no corpo dos nossos animais de estimação e isso significa que, ao contrário dos carrapatos, elas não precisam trocar de hospedeiro para concluirem seu desenvolvimento.
Durante esse processo, as pulgas podem ser responsáveis por algumas patologias:
1) Dermatite alérgica - alguns cães e gatos desenvolvem um quadro de hipersensibilidade á saliva da pulga, gerando coceira exacerbada e auto-mutilação, que evolui para descamação, crostas, feridas e ulcerações na pele, pricipalmente em região de cabeça (gatos) e de flancos (cães).
2) Verminose - ao mordiscarem a pele para a retirada dos ectoparasitas, tanto cães como gatos acabam ingerindo pulgas, levando ao intestino formas infectantes do Dipylidium caninum, um verme semelhante à tenia no ser humano. A infestação por Dipylidium pode causar diarréia e emagrecimento além de coceira na região do ânus, ocasionada pela saída de proglotes (reservatórios de ovos), estruturas semelhantes a um grão de arroz podendo ser visualizadas sobre as fezes.
3) Micoplasmose felina - as pulgas podem ainda transmitir um parasita sanguíneo nos felinos, causando perda de peso, falta de apetite, fraqueza e depressão,devido ao processo de anemia crônica que se instala no organismo do animal. Essa é uma doença grave e que pode levar à morte se não for tratada.
Além das doenças acima mencionadas, cabe lembrar que os animais acometidos por pulgas sofrem constante incômodo e se tornam mais estressados, o que leva a alterações emocionais e do bem estar geral. Para prevenir o problema, atualmente se preconiza o uso de produtos específicos (pour on) a cada 15 dias, e não mensalmente como sugerem os fabricantes.

Dra. Anna Karina Lima, dermatologista veterinária
Formada pela FMVZ-USP em 1997